Nos eletroímãs acima descritos é indiferente a direção da corrente elétrica que por eles circula, ou seja, é indiferente que ela entre por um borne e saia pelo outro, ou vice-versa: a armadura A de ferro doce, em ambos os casos, será atraída pelos núcleos do eletroímã. Se a armadura for constituída por ímã permanente de aço, o sentido em que a corrente circula já não é indiferente, como vamos ver.

Um eletroímã polarizado, muito comum em telegrafia e cujo princípio é também aplicado nas campainhas receptoras da chamada dos aparelhos telefônicos. Diz-se polarizado porque a armadura e os núcleos dos eletroímãs da espécie possuem pólos magnéticos permanentes em virtude de constante magnetização originada por influência de um ímã de aço. Na figura 83, S-S-N-N é o ímã: as linhas de indução saem dele pelo pólo N-N; atravessam o ferro da culatra C e, bifurcando-se, percorrem o ferro dos dois núcleos F F; dos núcleos saltam para o ferro da armadura; depois de percorrerem esta última, acabam finalmente por penetrar no ímã pelo pólo sul S-S. Em conseqüência da indução magnética, os topos n1 e n2 dos núcleos apresentam a polaridade norte, e a extremidade s da armadura (que pode deslocar-se em torno de a) tem a polaridade sul.

Suponhamos que a corrente elétrica circula nas espiras do eletroímã na direção indicada pelas setas. Em conformidade com a regra do parágrafo 20 do cap. VIII, o campo magnético da corrente procura formar pólo sul em n1: consequentemente, a polaridade norte deste topo, originada pelo ímã, fica muito debilitada pela ação da corrente {pode até ficar anulada, ou mesmo invertida, se a corrente for muito forte). Ao mesmo tempo, o campo magnético da corrente reforça a polaridade norte do topo n2. Assim sendo, a armadura s-a (cuja extremidade s tem sempre a polaridade sul) desloca-se em tomo do eixo a e vem encostar-se ao topo n2, atraída pela imantação norte deste, ora muito reforçada.

Invertida a direção da corrente, os fenômenos também se invertem: a corrente procura então formar o pólo sul em n2. A polaridade norte de n2 (que tem por causa o ímã) aparece, portanto enfraquecida, e a de n1 surge agora reforçada: neste caso a armadura s-a encosta-se ao topo n1 cuja polaridade norte é então mais forte. Cessada a corrente, a armadura fica na posição em que estava (encostada a um dos topos) e aí permanecerá até que nova corrente, de direção adequada, venha tirá-la dessa posição. Em outros modelos, uma mola faz com que a armadura se conserve equidistante de ambos os topos quando pelas espiras das bobinas não circula a corrente.

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