A seguinte analogia hidráulica nos ajudará a entender, de algum modo, a significação de queda de potencial em circuitos eléctricos. Um depósito cilíndrico cheio de água submetida à pressão ocasionada pelo peso do êmbolo E. A-B é o conduto que serve para transportar o líquido ao ponto B1. A válvula V está fechada e o tubo está cheio, não havendo, portanto, vazão líquida. Os manómetros a e b marcam, cada um, 120 quilos de pressão, cifra esta representativa da força motriz da água, ou seja da potência para fazê-la circular. (Para maior clareza, faremos abstracção das pressões por determinada superfície do encanamento. O intuito principal é fazer coincidir, por exemplo, os 120 quilos acima referidos com os 120 volts). Quando se abre a válvula V (figura 85), determinada vazão líquida passa pelo conduto, entretanto a pressão em a se mantém nos 120 quilos, enquanto em 6 desce a 110.

Existe, por conseguinte, uma diferença de pressão de 10 quilos entre os pontos a e 6, diferença essa perdida no empuxo realizado para vencer a fricção ou resistência que as paredes da tubulação oferecem ao líquido circulante. A pressão aproveitável no extremo B1 do tubo (pressão que pode ser empregada para mover a turbina 7) é de 110 quilos apenas (manómetro 6) ao passo que a pressão total continua sendo de 120 (manómetro a).

Suponhamos que o conduto é de diâmetro uniforme e tem 150 metros de comprimento: outro manómetro ai colocado à distância de 50 metros do ponto A acusa a pressão de 116.66 quilos; colocado a 100 metros passará a indicar 113,33 quilos; à distância de 150 metros teremos, finalmente, os 110 quilos já registados pelo manómetro b. Há, pois, perda gradual de pressão ao longo do tubo. Tal perda, como se vê, é directamente proporcional ao comprimento de tubulações de resistência uniforme: no caso presente, é ela de 0,066 quilos por metro de
comprimento.

A diferença de pressão entre dois pontos é aquela necessária para que circule a corrente líquida entre esses mesmos pontos. Tal diferença corresponde ao valor da pressão registada pelo manómetro b subtraído do valor indicado pelo manómetro a.

É necessária uma diferença de pressão de 10 quilos para obrigar a corrente de água a passar pelo cano: consequentemente, resta apenas a pressão de 110 quilos para pôr em movimento a turbina T. A soma das pressões perdidas em 150 metros de comprimento é igual a 10 quilos, que indicam a diferença de pressão existente entre os pontos Ae B.

Abrindo-se a válvula Vmais um pouco, é claro, passará mais água: a pressão diminuirá em igual proporção. Substituindo-se o tubo A-B por outro de maior diâmetro, a resistência será então menor, e menor será também a perda de pressão para impelir o líquido através do tubo, resultando daí maior pressão aproveitável.

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